Mês: janeiro 2014

Extraordinário

capa-extraordinario_frenteExtraordinário é, bem, extraordinário.

Parecia um livro bonitinho na livraria. Como faz mais que eu com os livros bonitinhos, a Cláudia quis comprar e aí acabou levando e lendo há um tempo atrás. Falou que é lindo; fui ler; e adorei a experiência que esse livro me deu. É uma história de superação e crescimento, bem apropriado para as idades e estados dos personagens envolvidos, e a leitura foi fluida de modo que terminei em dois dias com apenas algumas horinhas de leitura.

August Pullman nasceu com um punhado de anomalias genéticas que, somando-se, causaram uma síndrome raríssima que torna o seu rosto algo não muito normal – ou bonito – de se ver. Ele é descrito uma ou duas vezes durante a narrativa, e dá para se ter uma ideia. Teve que lidar com o olhar de nojo (e, muitas vezes, medo), de crianças e adultos, jovens e velhos. Alguns tem medo de tocar nele, outros, já antecipados com o que devem ver, só hesitam momentaneamente. August (“Auggie”, para os íntimos) percebe, mas finge não perceber. Já está acostumado. (mais…)

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Peter Pan

PeterPan_bolsoQuem nunca viu uma adaptação de Peter Pan? Não é como se faltassem opções: o desenho da Disney, os filmes em live-action (e suas enésimas continuações e refilmagens), peças de teatro, livros baseados em adaptações, livros ilustrados. Como qualquer clássico infantil, esta é uma história cheia de fontes a jorrar e versões para escolher. É sempre interessante ler ao texto original, o que deu origem à toda a mitologia, e esta oportunidade nos é trazida por essa edição do clássico.

A proposta das edições “luxo de bolso” da Zahar traz justamente à tona estas histórias, com texto integral, um prefácio bonito, capa dura e um projeto gráfico fenomenal. A Cláudia comprou essa edição que encontrou nas livrarias por um preço bem camarada e, após a sua leitura, a própria lindeza do livro (devo ressaltar que adorei a capa) me atraiu para logo em seguida fazer a minha leitura, que terminei hoje.

O prefácio do livro fala um pouco do que acabei de citar: das adaptações, da origem da história, e um curto texto sobre a vida do autor. Qual não é a minha surpresa que a história deste livro – originalmente chamada apenas de Peter e Wendy não é a primeira história na qual o protagonista homônimo ao livro aparece, mas que este já fez parte de uma historinha anterior,  The Little White Bird. O prefácio foi resumido para a edição de bolso (a Zahar mantém também uma edição grande, de luxo, ilustrada e comentada), mas já inova em me contar que  texto em minhas mãos, a origem do clássico, não é bem a origem origem do clássico, mas ainda um texto anterior e relativamente desconhecido. Para alguém que quer ler e descobrir mais sobre a história, começamos bem. (mais…)

Breve espaço

Breve-EspacoTerceiro livro do Cristovão Tezza que eu tenho a oportunidade de ler, Breve espaço me encantou de maneira que nenhum dos antecessores conseguiu. Ao ler meu primeiro livro dele, O filho eterno, provavelmente a sua obra mais aclamada, vencedora de enésimos prêmios literários e mesmo traduzido para diversas línguas, encontrei uma obra de boa leitura e que me fez experimentar sensações: partilhei até certo ponto o medo e a frustração do protagonista (que me parece ter requintes autobiográficos que me aproximaram da obra), mas não me deixou encantado como fico com alguns livros. Envolveu-me, mas talvez uma certa ansiedade, um nervosismo resultante da temática da obra (não consegui a momento algum deixar de imaginar como deve ser difícil me colocar no papel daquele pai), acabou com que eu não me entregasse por completo ao livro.

Mas, afinal, essa resenha não é de O filho eterno. Só não consigo deixar de comparar as leituras que fiz do mesmo autor, mesmo estas tendo dez anos de diferença. O filho é de 2007, enquanto Breve espaço foi publicado pela primeira vez, com o título “Breve espaço entre cor e sombra”, em 1998. Cristovão Tezza decidiu por uma mudança de título para a segunda edição, na qual ele revisitou seu eu de anos antes e deu uma polida em sua obra. E diz:

Nestes tempos performáticos, não seria mais autêntico (eis a palavra arrogante), deixar o livro exatamente como nasceu? Não sei. Depois de terminado, todo livro tem um certo espírito que não pode ser mexido sem, digamos, quebrar a porcelana. Revê-lo eve ser um gesto de arqueólogo: vá com cuidado. Apenas a superfície pode ser tocada, e somente para revelar o que (quem sabe) já estava oculto na velha forma. (mais…)

Lituma nos Andes

Lituma nos AndesEssa foi uma leitura que não me conquistou de primeira. Comecei a ler Lituma nos Andes em setembro do ano passado, mas parei logo no final do primeiro capítulo, quando recebemos pelo correio Kafka à beira-mar e eu resolvi dar prioridade para a outra (tampouco curta) leitura na qual eu já tinha mais interesse.

Como já se passavam mais de três meses desde a última vez que eu abria essas páginas, resolvi começar de novo. Mais uma vez, o livro demorou a me conquistar, a leitura a engatar. Não foi antes de quase metade da leitura que Lituma nos Andes conseguiu me prender, mas quando o fez…

A história narra a estadia do cabo Lituma e seu imediato, Tomas Carreño (também chamado de Tomasito ou Carreñito, dependendo do personagem), no posto de Naccos nos idos dos Andes, durante a década de 80. Três desaparecimentos chamam a atenção das duas autoridades, que suspeitam que o caso esteja relacionado à revolução dos “terrucos” do Sendero Luminoso (o Partido Comunista do Peru).

Ao mesmo tempo, temos algumas narrativas diferenciadas entrando e se permeando no volume: a história de Carreño sobre o amor que perdeu algum tempo antes de ser mandado aos Andes, que o assombra até hoje; a história de um exótico-quase-paranormal casal de moradores daquele vilarejo, contado do ponto de vista da mulher; e algumas histórias de figuras que acabam topando com os senderistas durante algum assunto que tinham a resolver nos Andes. (mais…)