paul auster

A invenção da solidão

5901768Observação: Mais uma vez, este foi feito para um trabalho da faculdade e pode destoar de estilo, voz, e presença de spoilers. Desta vez, é apenas um rascunho, e provavelmente será alterado até o mês que vem, quando eu tiver de entregar a versão final.

A invenção da solidão é, antes de um, dois livros. Convenientemente dividido em ambas as partes, a experiência, as vozes, a estrutura e os sentimentos suscitados por Retrato de um homem invisível são algo diferentes do que o seriam por O livro da memória. Entretanto, a união, não só temática, mas também em honestidade apresentadas por seu autor, Paul Auster, em ambos, faz do volume em duas partes um livro duplo.

A apresentação feita de Sam Auster por seu filho, Paul, pouco tempo após o final de sua vida, acaba na construção de um retrato comovente. Há a constante preocupação de não se construir uma imagem unilateral — e mais, superficial — de um homem que parece, senão caricato, no mínimo anedótico. Sua insistência em guardar o dinheiro (“como segurança”), os seus hábitos de usar roupas de segunda mão, barganha como meio de vida, a eliminação das distinções entre produtos, sua relativização de tudo através do mínimo denominador comum do preço. Fácil seria entregar-se à tentação de deixar estes aspectos falarem por si só, criarem a imagem perfeita do sovina. Assim como seria fácil, por sua distração, sua solidão, sua barreira de si contra o mundo, pintá-lo como o pai ausente por excelência. (mais…)