flávio izhaki

Amanhã não tem ninguém

Amanhã não tem ninguémAmanhã não tem ninguém foi uma agradabilíssima surpresa em um mar de recomendações e leituras obrigatórias. Uma obra que começa e se encerra em um mesmo ponto, uma série não-linear, que só reforça a natureza cíclica dos erros pessoais de cada um. No segundo romance de Flávio Izhaki, acompanhamos a jornada de seis membros de uma mesma família judaica: indivíduos de diferentes idades e em diferentes épocas de sua vida, conforme lutam com seus próprios dilemas, mergulhados em suas relações com os outros protagonistas e, sim, consigo mesmos. Aqui, vemos uma família se desconstruir ao passar de cada página.

A morte é o espectro que espreita todas as relações. Não a nossa mortalidade apenas, mas a Morte com “m” maiúsculo, aquela que ronda a consciência, que busca os nossos medos e afetos, se esgueira para dentro da mente. A noção da própria morte e sua inevitabilidade, memento mori, é apenas uma de suas facetas. A consciência da finitude dos outros, de que o mundo perdurará sem nós, mais uma. O fim das pessoas está presente neste romance, que abre com a morte de um dos patriarcas da família, o homem mais velho, o relojoeiro e bisavô. A partir de então, somos levados por uma viagem na história de cada personagem. Mas este é um elemento que em momento algum está ausente de suas jornadas pessoais. Mais uma vez, o espectro que os espreita.

Em uma das cenas de enterro: ontem, no anterior, tínhamos aqui dez pessoas. Hoje, três. E amanhã?

Amanhã não tem ninguém. (mais…)

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