duong thu huong

No zênite

no zeniteUma das minhas experiências de leitura mais demorados do ano, mas não é por isso que No zênite deixa de ser belo. O romance é assinado pela escritora vietnamita Duong Thu Huong e perpassa anos em suas mais de quinhentas páginas, através de uma escrita cuidadosa e paciente, que faz questão de deixar os acontecimentos se desdobrarem com a delicadeza e melancolia de uma pessoa no fim da vida.

Tal pessoa é Ho Chi Minh, líder e idealizador da revolução comunista que dividiu o Vietnã em dois durante a época da Guerra Fria. Aqui ele é chamado apenas como o “Presidente”; é pintado com certas liberdades o retrato de um homem desiludido com o que ajudou a criar, com as pessoas com as quais se cercou, e com as decisões de vida que resultaram na sua profunda solidão. Figura central no romance de Thu Huong, o Presidente, em seus anos finais de vida, está isolado em uma construção próxima a um templo localizado em uma montanha afastada dos centros urbanos, próxima a uma aldeia de lenhadores e deixado para definhar enquanto é cuidado pelos soldados de seu exército.

Lá lhe colocaram com as desculpas de que está frágil e de que sua vida é preciosa para o povo do Vietnã, e por isso ele deve se submeter a um regime de isolamento e reclusão conforme a velhice desce sobre sua alma. Seu tempo para pensar, somado aos acontecimentos de sua vida passada e as mensagens e visitas que ainda recebe de seu único amigo, fazem com que seu ser desiludido afogue-se em reflexões sobre o que deveria ter feito de diferente em sua vida. (mais…)

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