não ficção

Ética

eticaÉ difícil acompanhar um livro téorico quando não se tem lá uma base muito avançada no campo de conhecimento abordado; geralmente limito-me a buscar por algumas introduções ou manter um mínimo de conhecimento sobre o tema antes de me aventurar em alguma não-ficção mais aprofundada, quanto mais uma parte da filosofia ou um campo de conhecimento amplo como a ética. Por sorte, o livro de Adolfo Sánchez Vázquez, recomendado-me como a bibliografia de uma das disciplinas da graduação, é um caso de livro introdutório. Dos recomendados, era o que parecia mais geral e, de fato, serve para dar um panorama aparentemente completo da teoria da moral. O autor admite o seu caráter didático e introdutório em suas primeiras palavras na apresentação da obra:

Este livro pretende introduzir o leitor no estudo dos problemas fundamentais da ética. Conbecendo-o desta maneira, com texto introdutório, tivemos presentes as exigências do ensino desta disciplina nos cursos universitários, nos institutos normais e nas escolas técnicas preparatórias. (p. 9)

Exigindo apenas um mínimo de conhecimento de algumas disciplinas fundamentais das ciências humanas — história, filosofia, antropologia, sociologia etc — o livro trata de abarcar diversas facetas e características da teoria da moral, a ética, de forma a deixar o leitor bem acostumado com todos os seus aspectos. A cada capítulo, desde a introdução ao objeto de estudo da ética, a moral, até sua história, essências, valores, avaliação, como se realiza, e encerrando com uma exposição e leves resumos, também bem didáticos, das doutrinas éticas fundamentais (ética grega, religiosa, moderna e contemporânea). Assim, serve bem ao seu propósito de servir de bibliografia básica e porta de entrada ao ensino da ética em cursos e universidades. (mais…)

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Divine Invasions: The Life of Philip K. Dick

22587Imagino que, na confecção de uma biografia, a questão da verificabilidade das informações sempre pose uma questão fundamental para o autor. Quando apostamos em traçar uma linha de vida a partir de depoimentos, correspondências e confissões, temos que acreditar que o que está sendo dito (ainda mais quando se referem a causos de uum passado distante) são de fato os acontecimentos que ocorreram. E aí temos outro problema fundamental: a memória, sempre composta a partir do presente, geralmente apresenta discrepâncias. Lembranças, e portanto depoimentos, são imperfeitos. Um ponto de vista subjetivo a respeito de acontecimentos passados.

Pode-se ver como Lawrence Sutin enfrentou estes dois problemas em sua biografia Divine Invasions: The Life of Philip K. Dick. Não raro vemos testemunhos contraditórios durante a narrativa, geralmente entre o biografado e a outra pessoa que participou das cenas que descreve; seja em depoimentos para outras pessoas, seja em suas anotações e cartas. Sua vida era guiada por crises; sendo assim, sua resposta a cada crise era um testemunho distinto da pessoa com quem ele entrou em conflito. E, como disse sua mãe Dorothy, Philip funcionava melhor em crises. Tanto que pulava de uma para a outra — não funcionaria de forma alguma em um cenário normal de um dia ensolarado.

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A invenção da solidão

5901768Observação: Mais uma vez, este foi feito para um trabalho da faculdade e pode destoar de estilo, voz, e presença de spoilers. Desta vez, é apenas um rascunho, e provavelmente será alterado até o mês que vem, quando eu tiver de entregar a versão final.

A invenção da solidão é, antes de um, dois livros. Convenientemente dividido em ambas as partes, a experiência, as vozes, a estrutura e os sentimentos suscitados por Retrato de um homem invisível são algo diferentes do que o seriam por O livro da memória. Entretanto, a união, não só temática, mas também em honestidade apresentadas por seu autor, Paul Auster, em ambos, faz do volume em duas partes um livro duplo.

A apresentação feita de Sam Auster por seu filho, Paul, pouco tempo após o final de sua vida, acaba na construção de um retrato comovente. Há a constante preocupação de não se construir uma imagem unilateral — e mais, superficial — de um homem que parece, senão caricato, no mínimo anedótico. Sua insistência em guardar o dinheiro (“como segurança”), os seus hábitos de usar roupas de segunda mão, barganha como meio de vida, a eliminação das distinções entre produtos, sua relativização de tudo através do mínimo denominador comum do preço. Fácil seria entregar-se à tentação de deixar estes aspectos falarem por si só, criarem a imagem perfeita do sovina. Assim como seria fácil, por sua distração, sua solidão, sua barreira de si contra o mundo, pintá-lo como o pai ausente por excelência. (mais…)

O mundo do exterminador

19357140Como provavelmente fica palpável na minha resenha de Ender’s Shadow, eu gosto bastante de O jogo do exterminador (aka. Ender’s Game)Fiquei contente, apesar de temeroso, quando soube, em meados do ano passado, que o livro já estava em estágios avançados de adaptação para o cinema e que em breve, apenas alguns meses depois de finda a minha leitura, eu poderia assisti-lo. Eu assisti e gostei bastante, mas isso não vem ao caso de agora. Estava com medo de acabar sendo um fiasco e, apesar de o filme não ter sido sucesso de bilheteria, achei uma adaptação bem feita.

Na onda do filme vindouro, surgiu a ideia deste livro do qual falo agora. O mundo do externimador: Novas perspectivas sobre o clássico da ficção científica O jogo do exterminador, coletânea de ensaios organizada pelo próprio Orson Scott Card, é justamente isso que se propõe no título: temos várias perspectivas de profissionais de diferentes áreas sobre o seu contato e a sua visão a respeito de Ender’s Game, muitas vezes o analisando segundo a sua perspectiva profissional. Desde escritores de ficção científica, passando por professores de ensino médio, até mesmo profissionais renomados da área militar, tem o que dizer a respeito do livro, e o fazem de maneira sem muitos rodeios e de fácil compreensão neste livro, traduzido e lançado aqui pela Intrínseca, no final de 2013. (mais…)