r.j. palacio

The Julian Chapter

The Julian ChapterNão faz tanto tempo assim que li Extraordinário. Foi inclusive um dos primeiros sobre um dos quais escrevi após a fundação desse cantinho de internet. Gostei muito do livro, que foi uma agradável surpresa quando eu não botava tanta fé. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a autora planejava acrescentar um pouquinho mais à história?

Percebo uma recente tendência em alguns segmentos da literatura de entretenimento, esta de reescrever uma história ou um pedaço dela do ponto de vista de algum outro personagem. É sempre interessante observar a perspectiva de um coadjuvante, ou mesmo um antagonista, sobre os mesmos acontecimentos. Ajuda a adicionar toda uma camada de desenvolvimento, um joguinho psicológico do que cada personagem dá mais atenção a, e mesmo aprimorar um pouco essa ideia da natureza multifacetada da realidade (whoa). Não digo que esta é uma ideia completamente nova: temos coisas como o The Alexandria Quartet (quatro livros contando a mesma história sob diferentes pontos de vista), dos anos 1950; ou mesmo Ender’s Shadow, que é esse giro de perspectiva de Ender’s Game escrito no começo do século. Mas percebo isso recentemente acontecendo com mais frequência, tipo nos livrinhos da Colleen Hoover ou, quem sabe, naquela versão abandonada do quinto livro de Crepúsculo. (mais…)

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Extraordinário

capa-extraordinario_frenteExtraordinário é, bem, extraordinário.

Parecia um livro bonitinho na livraria. Como faz mais que eu com os livros bonitinhos, a Cláudia quis comprar e aí acabou levando e lendo há um tempo atrás. Falou que é lindo; fui ler; e adorei a experiência que esse livro me deu. É uma história de superação e crescimento, bem apropriado para as idades e estados dos personagens envolvidos, e a leitura foi fluida de modo que terminei em dois dias com apenas algumas horinhas de leitura.

August Pullman nasceu com um punhado de anomalias genéticas que, somando-se, causaram uma síndrome raríssima que torna o seu rosto algo não muito normal – ou bonito – de se ver. Ele é descrito uma ou duas vezes durante a narrativa, e dá para se ter uma ideia. Teve que lidar com o olhar de nojo (e, muitas vezes, medo), de crianças e adultos, jovens e velhos. Alguns tem medo de tocar nele, outros, já antecipados com o que devem ver, só hesitam momentaneamente. August (“Auggie”, para os íntimos) percebe, mas finge não perceber. Já está acostumado. (mais…)