biografia

Divine Invasions: The Life of Philip K. Dick

22587Imagino que, na confecção de uma biografia, a questão da verificabilidade das informações sempre pose uma questão fundamental para o autor. Quando apostamos em traçar uma linha de vida a partir de depoimentos, correspondências e confissões, temos que acreditar que o que está sendo dito (ainda mais quando se referem a causos de uum passado distante) são de fato os acontecimentos que ocorreram. E aí temos outro problema fundamental: a memória, sempre composta a partir do presente, geralmente apresenta discrepâncias. Lembranças, e portanto depoimentos, são imperfeitos. Um ponto de vista subjetivo a respeito de acontecimentos passados.

Pode-se ver como Lawrence Sutin enfrentou estes dois problemas em sua biografia Divine Invasions: The Life of Philip K. Dick. Não raro vemos testemunhos contraditórios durante a narrativa, geralmente entre o biografado e a outra pessoa que participou das cenas que descreve; seja em depoimentos para outras pessoas, seja em suas anotações e cartas. Sua vida era guiada por crises; sendo assim, sua resposta a cada crise era um testemunho distinto da pessoa com quem ele entrou em conflito. E, como disse sua mãe Dorothy, Philip funcionava melhor em crises. Tanto que pulava de uma para a outra — não funcionaria de forma alguma em um cenário normal de um dia ensolarado.

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Jackie editora

jackieJacqueline Kennedy Onassis, em um contexto norte-americano e internacional, é um nome de peso. Ex-primeira-dama, testemunha de uma tragédia e viúva de dois maridos, a biografada de Jackie editora tem como episódio menos conhecido (e provavelmente mais longo) da sua vida na carreira editorial que cultivou pelos últimos dezenove anos de sua vida. Este livro, lançado este ano pela Record, busca abordar justamente esta parte menos conhecida de JKO. Conhecida mundialmente pelo seu papel de viúva, por ter mostrado a sua dignidade durante os dias tristes após o assassinato de JFK, e de seus dias como socialite bem relacionada, esta biografia se faz justamente interessante em sua proposta pela falta de material no assunto.

O livro é escrito por Greg Lawrence, um dos antigos autores de Jackie, e recolhe o depoimento de mais de cem pessoas que se relacionaram com a editora durante seus anos na Viking Press e na Doubleday. Jackie, após a morte de Aristóteles Onassis, seu segundo  marido, e já com mais de quarenta anos de vida, decide começar a carreira editorial – uma vocação que já havia experimentando pouco após a morte de seu primeiro marido, coordenando e prestando auxílio em alguns volumes dedicados a JFK. Como uma mudança de ares, um novo objetivo de vida, algo a ser perseguido e dedicar a sua energia, JKO quis buscar seu próprio lugar naquele mercado, compensando a sua falta de experiência editorial com uma intrincada teia de contatos e possíveis autores que apenas seu antigo e atual status podiam fornecer – relacionamentos estes que seriam duradouros e muito úteis na hora de se sondar possiveis e interessantes publicações. (mais…)