O mundo do exterminador

19357140Como provavelmente fica palpável na minha resenha de Ender’s Shadow, eu gosto bastante de O jogo do exterminador (aka. Ender’s Game)Fiquei contente, apesar de temeroso, quando soube, em meados do ano passado, que o livro já estava em estágios avançados de adaptação para o cinema e que em breve, apenas alguns meses depois de finda a minha leitura, eu poderia assisti-lo. Eu assisti e gostei bastante, mas isso não vem ao caso de agora. Estava com medo de acabar sendo um fiasco e, apesar de o filme não ter sido sucesso de bilheteria, achei uma adaptação bem feita.

Na onda do filme vindouro, surgiu a ideia deste livro do qual falo agora. O mundo do externimador: Novas perspectivas sobre o clássico da ficção científica O jogo do exterminador, coletânea de ensaios organizada pelo próprio Orson Scott Card, é justamente isso que se propõe no título: temos várias perspectivas de profissionais de diferentes áreas sobre o seu contato e a sua visão a respeito de Ender’s Game, muitas vezes o analisando segundo a sua perspectiva profissional. Desde escritores de ficção científica, passando por professores de ensino médio, até mesmo profissionais renomados da área militar, tem o que dizer a respeito do livro, e o fazem de maneira sem muitos rodeios e de fácil compreensão neste livro, traduzido e lançado aqui pela Intrínseca, no final de 2013.

O livro é recheado de ensaios, quase todos elogiosos, sobre a maneira e a profundidade como Ender’s Game conseguiu acertar em alguns assuntos, mesmo sem a intenção (ou é dito) de Orson Scott Card em fazê-lo. Sobre as escolhas morais de Ender, sobre ser um tratado conciso sobre estratégia e ética militar, sobre os assuntos da infância, brilhantismo infantil, solidão, bullying. Sobre ser um guia para a vida, a identificação de cada leitor com o protagonista ou com um de seus amigos, e a capacidade de projeção de inúmeros elementos simbólicos em cada linha, personagem e situação, a cada obstáculo que Ender supera no livro original.

A leitura é simples e não exige qualquer porte teórico para acompanhar tranquilamente o que é dito, as ideias que são passadas. Claro que não é uma leitura recomendada para quem não leu o livro original ou não assistiu ao filme, porque os spoilers são liberados (inclusive as grandes revelações ao final da história). Superificialmente fala um pouco de Orador dos mortos Ender’s Shadow, mas como relacionado majoritariamente à figura do Ender como protagonista, militar e ser humano, a leitura destes não é essencial para a compreensão do conteúdo (apesar de que, é lógico,  isso sempre ajude e evite pequenos spoilers).

enders_game_book_coverÉ claro que eu amo o livro de paixão, e não esperava nada não elogioso vindo de uma coletânea organizada pelo próprio autor, mas vez ou outra o enaltecimento constante da maestria da história, da sua marca no universo e na vida dos ensaístas irritava um pouco; algo quiçá exagerado em minúcias de todos os ensaios. Ninguém não tinha sido marcado profundamente pelo livro, não serviu para longas reflexões etc (não duvido da última parte, pois as reflexões eram totalmente necessárias para a redação dos ensaios em primeiro lugar).

Mas é um livro recomendado para quem leu e gostou de O jogo do exterminador. Para quem acha que há algo a ser dito e que gostaria de ler mais a respeito. Alguns temas dos ensaios não são tão aprofundados e são coisas que daria para descobrir com um tempo próprio de reflexão; alguns, principalmente os do ponto de vista militar, são interessantes por nos colocar em algumas realidades às quais não temos acessos e que, a sua própria maneira, foram influenciadas pelo livro e suas ideias. Creio eu que o artigo mais interessante foi o do ponto de vista dos fuzileiros navais (o título, “Ender, um fuzileiro naval”, não deixa muita margem para dúvida), no qual o escritor de um influente manual Warfighting nomeia Ender como um grande pensador, mesmo inconscientemente, sobre a tática militar da guerra de manobra, que aplicava em seus treinos e em suas guerras. Todo aquele lance da independência e flexibilidade de seu exército, da importância de formar líderes de pequenos grupos com habilidade e potencial para pensar rápido em situações inesperadas.

No final, é uma leitura bem legal em alguns aspectos, mas nada muito diferenciado. O livro faz o que se propõe, apresenta as diferentes perspectivas e é uma leitura legal para quem, como eu, aprecia o livro original. Mas não marca especialmente.

Ficha técnica

  • Tìtulo: O mundo do exterminador: Novas perspectiva sobre o clássico da ficção científica O jogo do exterminador
  • Tìtulo original: Ender’s World – Fresh Perspective  on the SF Classic Ender’s Game
  • Ano de publicação: 2013
  • Edição lida: Intrínseca, 2013. Traduzido por Edmundo Barreiros. 
  • Número de páginas: 320
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