O Mágico de Oz

17616090Mais um da coleção de clássicos em bolso de luxo da Zahar e, como Peter Pan, que li na semana passada, a edição é linda de morrer. Capa dura (e com uma ilustração muito bonita; digo, olha só, a pose da Dorothy me faz rir), bem impressa e, dessa vez, com ilustrações e uma curta introdução sobre a vida do autor e motivação por trás da obra em um prefácio de algumas páginas. Tudo bem cuidado, e me convenceu a quem sabe vir a fazer a coleção completa. Ainda estou tomando coragem para também adquirir O conde de Monte Cristo, que é bem longo e, por esse motivo, bem salgado na questão do preço. Quem sabe um dia?

O Mágico de Oz me era um mistério. Era um daqueles clássicos da literatura infantil que eu conhecia muito, muito por cima – ainda mais superficialmente que Peter Pan porque, se eu cheguei a assistir a alguma adaptação, foi há tanto tempo que mal me lembro. Sabia dos personagens, de Dorothy e seu cão, dos seus amigos e da antagonista, e também da grande revelação (graças à Torre Negra. Muito obrigado, Stephen King), mas meu conhecimento sobre ordem de acontecimentos, tom da história e algumas partes finais era essencialmente nulo. Então, quando este livro chegou às minhas mãos, eu não tinha muito o que esperar.

Às vezes, até prefiro assim. Ao contrário de Peter Pan, fui poupado de ficar comparando o original às adaptações, e achei isso bem positivo. Apesar do comparar do outro livro ter me atentado a alguns elementos sobre adaptação e cultura, este aqui me foi mais “fresco” justamente por eu não criar expectativa alguma. E acabei gostando mais do que o outro livro, mesmo sendo este com um tom mais leve e, digamos, “normal”.

A educação moderna inclui a moral; por isso, a criança moderna procura apenas diversão em suas histórias fantásticas, dispensando alegremente todos os incidentes desagradáveis. Com essa ideia em mente, a história de O Mágico de Oz foi escrita apenas para o prazer das crianças de hoje. Pretende ser um conto de fadas modernizado, em que a admiração e a alegria se conservam e os sofrimentos e pesadelos são deixados de fora. (pg 11 – 12; Introdução)

oz-WW-Denslow-dorothy-tinman-illustration6Para aqueles que, como eu, não conheciam direito a história, aqui vai: Dorothy mora no Kansas com seus tios em uma casinha no meio do nada. Em um dia, um ciclone aparece e leva a casa pelos ares com Dorothy e seu cachorrinho, Totó, dentro. Sem saber o que fazer, ela dorme e, quando acorda, vê-se em um lugar que lhe é completamente estranho. Está na terra de Oz, ilhada por um deserto. Para sua grande surpresa, sua casa caiu logo em cima da Bruxa Má do Leste, que escravizava o povo da região, libertando o povo e fazendo dela uma heroína. A Bruxa Boa do Norte lhe aparece, congratula pelo seu feito, e, ao ser interrogada, diz a Dorothy que seu pedido de voltar para o Kansas deve ser possível apenas para o grande Mágico de Oz, que vive na Cidade de Esmeraldas no centro do país. Levando junto os sapatinhos da Bruxa Má, que ficaram para fora quando ela caiu sobre a sua casa, ela segue pela estrada de tijolos amarelos em direção à Cidade de Esmeraldas, encontrando vários companheiros pelos caminhos.

Os companheiros de Dorothy e os lugares que encontram são, o que já era de esperar, os pontos altos e interessantes da história. O Espantalho (que quer um cérebro, o Lehandor de Lata (que quer um coração) e o Leão covarde (que busca a coragem) são interessantes justamente por quererem coisas supostamente impossíveis que lhes dariam elementos (inteligência, emoção) que podem conseguir de outras maneiras – ou já os tem consigo desde o princípio da história. As paragens pelas quais passa, e as civilizações pequenas e “estranhas” que encontram pelo caminho apresentam cada uma sua pequena peculiariedade.

Mas a própria Dorothy, deixando o parágrafo acima de lado, tem seus grandes méritos. Enxergada aqui como uma criança bem jovem (eu suponho de uns oito anos), sua marcada proatividade é algo que não se vê todos os dias de uma jovem personagem feminina. Apesar de ser apenas uma garotinha, ela tem fortes opiniões, emoções bem delineadas e uma personalidade característica, além de contribuir para a continuidade das aventuras da trupe protagonista.

A história é repleta de pequenas encontros e conflitos, e li críticas de que fossem desnecessário. Apesar de não serem cruciais para o desenvolvimento do enredo (o estado dos personagens antes e depois não é tão diferente),  sinto que são estes encontros que tornam a jornada verdadeiramente uma “aventura” mais palatável ao público infantil. Além do que, naturalmente, vários dos conflitos acabam resultando por jogar os personagens mais perto ou mais longe de seu ponto de chegada, causando um novo conflito (como chegar de volta ao caminho?), uma encadeação que, aí sim, não parece desnecessária a ninguém.

Enfim, com um gosto que estou desenvolvendo por histórias do tipo, com estes tons mais leves e um pouco humorísticos que me fazem sentir bem comigo e com o mundo, O mágico de Oz é uma história que, apesar de ser escrita para crianças, ainda pode encontrar seus apreciadores em um público adulto que esteja disposto a ler algo similar a uma fábula, ou, como seu autor gostou de dizer, “um conto de fadas moderno”. Mesmo sendo publicado em 1900, é claro. Aí a nova surpresa é que Oz tem (literalmente) uma dezena de continuações na composição de uma série de livros.

Eu vou ler! Depois. Quem sabe um dia?

Ficha técnica

  • Tìtulo: O Mágico de Oz
  • Título original: The Wonderful Wizard of Oz
  • Ano de publicação: 1900
  • Edição lida: Zahar, 2013. Edição bolso de luxo. Tradução por Sérgio Flaksman
  • Número de páginas: 226
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